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Crónicas ESC 2018: "cumpriu-se Portugal!"

por maio 16, 2018

Devia começar por me apresentar. Afinal, esta é MESMO a minha primeira Crónica aqui no blogue. Mas, se calhar, o melhor é mesmo começar por agradecer a vitória que conquistámos o ano passado, pois, sem ela, e sem a azáfama toda que se viveu até aqui, eu certamente não estaria ‘a cirandar’ por estas bandas e, acima de tudo, a fazer as coisas de que mais gosto.

Independentemente de tudo o que tenha acontecido até aqui, nunca podemos deixar de agradecer a quem nos proporcionou tudo isto. Salvador e Luísa, Luísa e Salvador. Sempre. E logo em segundo, a RTP. Sim, a estação pública que o ano passado finalmente mostrou o que realmente sentia (que todos já esperávamos há tanto). Que finalmente estava na altura de ganhar qualquer coisa na Eurovisão. E de que também queria mostrar ao mundo que era bem capaz de fazer o trabalho de organizar o maior festival de música do mundo. E a tarefa arrancou logo depois da nossa vitória, há um ano atrás.

365 dias volvidos, e eis que, finalmente, tenho as palavras certas para descrever a aventura do “All Aboard” Eurovisivo: cumpriu-se Portugal! E cumpriu-se da forma como sempre sabíamos que ia acontecer. Elogios presunçosos à parte, estamos a falar do nosso país, do nosso Portugal, que já tantas provas deu ao mundo da garra com que é feito, e esta foi só mais uma a juntar ao livro das suas já muitas conquistas.


A edição deste ano esteve marcada por tantos momentos. Momentos bons, menos bons, ótimos, evitáveis, de rir, de chorar, de comoção, de diversidade… enfim, características que nos identificam enquanto povo e que, de forma positiva, soubemos colocar em ação. 

Para que tudo não se torne repetitivo ao longo destas crónicas, quero apenas destacar os pontos que mais fortemente fizeram bater o meu coração e gritar de euforia pelo exímio trabalho desenvolvido ao longo de largos, mas sobretudo velozes meses eurovisivos.

[Sim, vou deixar um pouco de lado a opinião às canções vencedoras e perdedoras da edição de 2018, mas posso fazer uma nota de rodapé: Israel ganhou, com muito ou pouco mérito (e não, também não era a minha favorita). Mas, acima de tudo, conquistou o voto popular, e, por isso, as ‘queixas’ nem devem ser tidas em conta. Seja ela boa ou má, ‘Toy’ acaba por ter uma mensagem lógica, aliada a uma matemática inteligente de criar um ritmo étnico e divertido, que marcou e marcará sempre pela diferença. Quero aplaudir os resultados de Chipre, Alemanha, República Checa, Estónia, Dinamarca e Albânia! Por outro lado, continuo a achar injusto lugares como o da Suíça, Grécia, Polónia, ou até mesmo Espanha, França, Austrália, Finlândia… e sim, do também nosso querido Portugal.]


Mas não é com o lugar alcançado que devemos classificar esta Eurovisão ‘a la portugaise’! Pelo contrário! O lugar da canção “O Jardim” foi o alcançado, e, independentemente disso, ele mesmo não rouba nenhum mérito a tudo o resto que proporcionamos à Europa. Numa singela opinião, proporcionamos à Europa um verdadeiro ‘Jardim de Felicidades’ e disso teremos sempre de nos orgulhar. Douze points!

Preciso então de ressaltar, em três ou quatro pontos, o melhor desta Eurovisão 2018, muitos desses momentos preconizados no maior momento deste festival: a Grande Final de dia 12 de maio, mas com muitos outros que se foram apresentando neste caminho longo, que deixou marcas para o futuro, que trouxe aprendizagens, mas que, ao fim ao cabo, surgiu como que num pestanejar.

Acho que o primeiro ponto que tenho que referir é, evidentemente, sobretudo depois de uma vitória e num processo em que um país se prepara para sediar um espectáculo desta envergadura, toda a cobertura mediática que se criou em torno do Festival Eurovisão da Canção, novamente!! Nem poderíamos exigir menos, mas, face às visíveis quebras de interesse para com o concurso, cheguei mesmo a questionar-me até que ponto os meios de comunicação social poderiam ou não tentar evitar um pouco uma cobertura mediática um pouco exaustiva! Mas não! Houve a necessária e a devida! Um evento tão importante como este não acontece sempre (no nosso caso, vamos ter muito tempo de descanso até ao próximo), e, por isso mesmo, impunha-se uma comunicação forte sobre tudo o que se passou até aqui. Obrigado RTP e demais canais de informação televisiva, imprensa, rádio, blogues, enfim, tudo aquilo que tornou possível criar conversas eurovisivas no bar da minha Faculdade, com amigos e colegas que nem sequer imaginava interessados em tal (sabe tão bem, não sabe?)






Somado a isto, está, obviamente, o fator-chave que muito contribuiu para esta maior mediatização do evento junto da nossa população, e que já pude mencionar, nas entre-linhas, anteriormente. A fantástica organização levada a cabo pela RTP, pela Câmara Municipal de Lisboa (sim, não esquecer que estivemos em Lisbon 2018, e isso tem muito significado), do Turismo de Portugal, e claro, de tantas outras entidades, empresas, associações e pessoas que se juntaram a esta grande festa. Ainda por cima, isto soou tão bem aos ouvidos e aos olhos de todos os estrangeiros, que ainda estavam meio "abananados" com todos os problemas que houve em Kyiv 2017, portanto, no nosso caso, era só juntar o útil ao agradável. Conclusão: mais uns pontos para o nosso total arraso.

Outro ponto que quero destacar: Filomena Cautela. Não esquecendo o papel das outras três apresentadoras que, a seu jeito e personalidade, deram, de certeza, o melhor de si (e, por isso, obrigado Catarina, Daniela e Sílvia), tenho de fazer uma vénia àquela que se tem tornado como uma 'personagem' de grande inspiração para qualquer aspirante a apresentador de TV. E quase que tenho de dar "a mão à palmatória"! Se fui o primeiro aplaudir a ida da 'Mena para a Greenroom, porque era 'efetivamente o melhor'... sou agora a pessoa que também protesta pela necessidade de mais destaque que a mesma deveria ter tido, e que merecia! Brilhante prestação. Um orgulho imenso! Momentos cativantes, de um arraso total. A Filomena criou uma verdadeira Euphoria à sua volta.


Querem mais um ponto que me marcou e que, de forma total, caracterizou, pelo melhor e pelo muito pior, a Eurovisão 2018. Certo, então tomem lá: SuRie! E, neste caso, o Reino Unido. Exato, aquele país que não só desistiu da União Europeia, mas que há muito, muito tempo desistiu também do festival. E, mesmo quando tudo apontava que lá ia ficar novamente entre os 'pingos da chuva' (adequado, tendo em conta o clima do país), eis que surge o pior momento da edição deste ano do ESC.

Uma invasão de palco não é inédita. infelizmente. Mas, bem, não esperávamos (nada) que algo semelhante pudesse voltar a acontecer (um último episódio de invasão de palco havia acontecido em 2010). Ainda não tinha feito referência ao longo desta crónica, mas eu estive lá, na Altice Arena, no dia 12, data da Grande Final da Eurovisão. E, de certo, posso-vos dizer que este foi o melhor momento da noite. Antagonismo? Paradoxo? Sim, talvez! Também me assustei, eu e quem estava à minha volta, quando pudemos perceber que algo não estava bem! Veio a confusão, e, de repente, a Arena constrói-se numa exaltação e euforia em apoio à cantora britânica, que teve a bravura de poucos, agarrou de novo o microfone, e, como nunca, cantou de coração cheio, perante 11 mil pessoas que saltavam e gritavam com ela. Num plot twist interessante, o Reino Unido foi a atuação mais aplaudida desta edição. Mas, melhor que isso, é ver a essência da Eurovisão, algo que não passa nas câmaras, mas que é a melhor característica do espectáculo: o apoio incondicional de todos os 'adversários' à cantora. Que emoção!


Vá, prometo que será o último ponto aqui a destacar (havia tantos, tantos mesmo): diversidade. Por sorte, por acaso, por inspirações vindas sabe-se lá de onde, cof cof, Lisbon 2018 foi um dos anos com mais diversidade musical e temática, se olharmos para tantas anteriores edições da Eurovisão (aposto que, se fosse agora, já não escolhias o Celebrate Diversity, cara Ucrânia).

Primeiro que tudo, a língua! Foi com um aumento bastante significativo que vimos mais países virem até ao ESC 2018 com a sua língua materna. Independentemente dos resultados que cada um tenha alcançado, acredito que não tenha sido só a mim que tenha sabido bem ouvir o português, o espanhol, o francês, o italiano, o grego, o esloveno, o albanês, o arménio, o sérvio, o montenegrino, o húngaro, e claro, o inglês também, este ano, numa escala mais pequena de vantagem! E isto é um retorno importante às essências daquilo que nunca se pode perder na Eurovisão! Podem ganhar músicas em inglês, podem ser sempre melhores as músicas em inglês, mas não deixemos esquecer a importante 'porta' que este concurso sempre será para esta diversidade.

Diversidade esta que também surgiu em muitos outros géneros musicais que conhecemos este ano e que também enriqueceram tão bem esta competição. Eu, que não estava nada preparado para um hard metal nesta competição, acabei por me converter aos AWS! Ou, então, o fantástico registo de ópera oferecido por Elina Nechayeva! Do pop trash, ao normal pop, às baladas com emoção e sentimento, às baladas sem sentido do século passado, este ano foi uma verdadeira e grande oferta de qualidade (às vezes) musical, capaz de pôr a um canto aquilo que muitas rádios acabam por escolher como repertório diário...


Podia ressaltar outros pontos, mas sei bem que foi por tudo isto aqui transcrito que o meu coração mais palpitou. Por esta Eurovisão. Por este Festival. Por esta RTP. Por este Portugal, que conseguiu superar tudo e todos e, mais uma vez, à sua genuína maneira (como sempre), marcar pontos pela diferença, pela audácia, pela irreverência, pelo empenho, dedicação, coragem e paixão.

E esta foi a história de alguém que veio de longe, que foi até à cidade grande e que pôde acompanhar muitas coisas de perto, sem nunca ter tido tempo ou verdadeira coragem para sequer imaginar que esse dia podia mesmo chegar. Alguém que viu isso espelhado nos rostos de tantas outras pessoas, independentemente das suas origens. E de alguém que sabe que foi igualmente sentido por quem estava em casa, por quem ouviu gritar por "Portugal!" à distância, que sentiu um frio no estômago, por quem se emocionou pelo nosso país estar a viver o melhor momento dos últimos anos.

Esta foi a Crónica deste apaixonado pela Eurovisão, que agradece a todos os intervenientes a possibilidade de estar aqui a abrir o seu coração e a dizer o que mais lhe vai na alma. E agora, sim, o momento que devia ter sido no início, mas que decidi guardar para o final para o final. Não que ele seja importante (claro que não!), mas que aqui podia fazer algum sentido. Pedro, sim! E, para o ano, estamos cá todos outra vez, seja onde for, seja com quem for. Só precisamos de esperar...


CUMPRIU-SE PORTUGAL!


Vídeo: Eurovision.tv/BBC / Imagens: Eurovision.tv/ ERR News/ João Porfírio/ uDiscoverMusic/ CE

Crónica ESC 2018: "Parabéns pela fantástica organização, RTP!"

por maio 13, 2018
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Não posso começar esta crónica doutra maneira a não ser esta: parabéns pela fantástica organização, RTP! Tenho a agradecer-te por teres concretizado um dos meus sonhos de criança, que é assistir ao Festival Eurovisão da Canção no meu país. Muitos podem falar mal, principalmente os estrangeiros, mas eu estou de coração cheio: mas que organização! Não é que eu tivesse dúvidas que a RTP não fizesse um trabalho bom, porque o faz quando percebe a importância dos eventos, mas penso que todos os portugueses devem estar orgulhosos da maneira como tudo decorreu.

Percebeu-se perfeitamente que Portugal teve bom gosto e preferiu seguir uma linha de um investimento económico mais barato mas igualmente eficaz - e deu uma lição de emissora enquanto estrutura a todos. Fugiu-se aos LED's e aos efeitos especiais, mas os planos de câmara, o fogo, o vento e a magia permaneceram - principalmente, os planos de câmara, que foram completamente geniais e melhoraram em muito algumas das propostas. Também, a construção do palco estava lindíssima - uma das mais bonitas dos últimos anos.

Tenho também orgulho por este ano ter sido apresentado por quatro maravilhosas mulheres. Profissionais, competentes, sempre preocupadas e esforçadas a fazer o melhor que conseguem. O inglês podia não estar perfeito para algumas delas, no entanto já vi bem pior a apresentar o festival (recordo-me dos fantásticos apresentadores azeris em 2012, só de risos). No entanto, não há muito que se possa criticar, sendo que a apresentação foi exemplar. Destaco a presença de Filomena Cautela, que, se for bem aproveitada, ainda vai para o estrangeiro - a melhor apresentadora da nova geração, uma lufada de ar fresco para todas as estações televisivas e ouro em bruto para a área da comunicação.

No entanto, nem tudo é perfeito. Fiquei desiludido com o facto de não ter havido apresentações na entrada e nos intervalos das semifinais - foi, de facto, uma pena e notou-se que o começo foi forçado e seco. No entanto, tudo isso foi colmatado, com a maravilhosa entrada de Ana Moura e Mariza com fado (que bom começar a Eurovisão com fado!), com os intervals acts (a destacar a fantástica presença de Sara Tavares) e com Salvador Sobral.

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Outro ponto negativo foi a falta de segurança que aconteceu na atuação de Reino Unido. Não percebo porque razão Surie não quis voltar a interpretar a música (faz sentido, para mim, sair tudo perfeito, porque ela andou a preparar meses e meses sem fio estes três minutos), mas nem isso está em causa. Como voltou a acontecer isto outra vez? E ainda por cima com o mesmo homem que invadiu a proposta espanhola em 2010? Isto acontece tanta vez que já começo a acreditar que é algo planeado...

Em relação às semifinais, tenho tanta pena de algumas músicas terem ficado pelo caminho. Mas não podemos fazer nada, porque isso é sinónimo de excelentes músicas que estiveram presentes este ano. A semifinal 1 é um bom exemplo disso - nunca vi uma tão forte como esta e já sigo o festival há 13 anos.

Os de leste ficaram quase todos de fora (Rússia, Arménia e Azerbaijão) e fico feliz por saber isso. Não que não merecessem a passagem alguns deles, mas por saber que a Eurovisão está realmente a mudar e cada vez se está a esquecer do imperialismo dos de Leste no concurso.

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A Suíça merecia a passagem, por tudo o que o duo é enquanto artistas e pelo espetáculo que deram. De igual forma, sinto o mesmo pela Malta, que continuo a não entender porque razão foi a menos votada pelo público na segunda semifinal quando foi das melhores apresentações em palco deste ano.

Nunca acreditei que a Eslovénia, a Albânia e até mesmo a Hungria conseguissem passar à final, mas finalmente a justiça está a ser feita. Todas elas têm uma qualidade invejável e são ousadas na forma como transmitem algo para o público. Eu que não gosto nada de rock pesado, fiquei super fã do grupo AWS e foi das que mais vibrei na arena.

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A final foi completamente asfixiante. Era difícil escolher uma canção quando quase 90% das finalistas eram boas. E as dúvidas tornavam-se maiores quando nos perguntávamos quem é que poderia realmente ganhar - Noruega, Chipre, Estónia, Hungria, Israel, França, Itália... Qualquer um destes sete seriam ótimos vencedores, sejamos sinceros.

Tivemos 9 músicas na língua nativa, enquanto que no passado tivemos 7 - e, destas 7, 3 eram em bilingue. Fico contente pela vitória do Salvador Sobral ter trazido mais tradicionalismo e multiculturalismo, em que a importância das línguas nativas e da diversidade torna-se um assunto de importância extrema.

Tudo ficou com mais brilho com a participação de todos. A ousadia dos búlgaros, a irreverência da Ucrânia, a delicadeza da Lituânia, a etnia da Sérvia, a inteligência da Alemanha, o patriotismo da Dinamarca e  a mensagem que a Itália, a França, a Finlândia e a Irlanda trouxeram... tornou tudo ainda mais especial. 

Os resultados em si não me chocam. Não considero a música de Chipre nem da Áustria merecerem um segundo lugar, porque não têm conteúdo nenhum aquilo que apresentaram. Ainda mais o resultado forçado da Suécia, para uma música super ultrapassada. Tentou-se privilegiar mais o visual do que a qualidade musical, mas sem efeito. Houve demasiadas músicas a figurarem entre os 10º e os 20º, mas a Eurovisão é mesmo assim - feita de justiças e de injustiças. Realço o facto da Itália, da Dinamarca e da Estónia estarem no top 10 - não esperava, mas mereceram porque foram das melhores do ano.

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Portugal foi representado por Cláudia Pascoal e Isaura com "O Jardim". Desde a primeira audição sempre achei que esta seria a música certa para nos representar - e continuo com a mesma opinião. A forma sincera como interpretam sentimentos e palavras é encantadora, e a história faz-me pensar muito sobre a vida dos meus familiares e de tudo aquilo que eu penso e acredito. Já no The Voice, a Cláudia Pascoal era a minha favorita, e continuo a achar que temos aqui uma excelente jovem a dar os primeiros passos no mundo na música e que merece ser aplaudida por todos nós. Não podemos perder um talento como este.


Israel foi o grande vencedor da noite. Quando ouvi pela primeira vez "Toy", estranhei a canção e achei toda a proposta ridícula. Mas os dias foram passando e cada vez tudo fazia mais sentido em mim. Netta é uma jovem cantora ousada, com uma excelente voz, um talento em bruto e um exemplo para todos os jovens que querem fazer da música algo diferente. 

De todas as favoritas, Israel era, a meu ver, quem mais fazia sentido ganhar. Para mim, um vencedor tem de ser um ídolo, tem de lutar por uma causa, tem de passar uma mensagem. Nos últimos anos, os vencedores têm seguido isto à risca: Conchita Wurst pela causa LGBT, Mans Zemerlow com a importância da tecnologia nas nossas vidas, a canção histórica-política de Jamala e a autenticidade das instrumentações com Salvador Sobral. Netta, este ano, trouxe também um assunto muito importante. A música "Toy" é inspirada no movimento mundial #MeToo, usada por mulheres que sofreram de violência sexual, pondo em voga temas tão importantes na sociedade atual como a emancipação feminina e a oposição a qualquer forma de assédio. E fico bastante satisfeito por um tema como este ser apresentado de uma forma divertida mas ao mesmo tempo consciencializadora para tantos jovens que acompanham o festival.

Lamento, porém, as atitudes de Salvador Sobral com Netta nas últimas semanas. Já o ano passado tinha criticado o vencedor português  pelas suas atitudes imaturas e de superioridade. Para quem quer perder 10 minutos da sua vida a perceber "Toy", entende que esta proposta não se trata de uma música fast food. Cada um tem os seus gostos, Israel também não era a minha favorita (apesar de gostar imenso), mas fica feio um artista de profissão criticar o seu colega. Nós podemos não gostar de tudo, temos o direito de ouvir ou não ouvir - mas, da mesma forma que ficaria mal algum artista criticar o Salvador aquando do "Amar Pelos Dois", também fica mal o contrário. E também não podemos achar que a nossa verdade é absoluta. É bom sermos decididos e sabermos dizer aquilo que gostamos ou não gostamos, mas não podemos achar que aquilo que ouvimos é a melhor coisa do mundo e o que os outros ouvem é simplesmente merda. Porque qualquer pessoa ouve músicas boas e músicas más. That's life.

E, mais uma vez, para não esquecer: a Eurovisão celebra a diversidade, a Eurovisão celebra a música e a Eurovisão celebra as pessoas. 


Imagens: Eurovision, RTP e RTVE/Vídeos: Eurovision Song Contest

Festival da Canção 2018 (2ª semifinal): Uma noite sem resultados polémicos

por fevereiro 27, 2018

19h30, marca a hora da chegada do CE à RTP. Já vejo ao longe as pessoas na fila de espera para entrar no edíficio da nossa emissora nacional. As fofocas acontecem, as apostas prevalecem e as opiniões dispersam: quais são os artistas da 2ª semifinal que vão passar à final? O Diogo Piçarra vai conquistar os 12 pontos do júri?

Não demorei muito tempo até entrar no Estúdio 1. Sinto que o cenário estava demasiado parecido com o do ano passado. Se a intenção era continuar o sucesso do ano passado, penso que isso não passa por manter o mesmo estilo de cenário. Mas há coisas também mais importantes que isso...




20h30. Meia hora até começar a segunda semifinal. A azáfama continua, os colaboradores da emissora ainda não estão a sentar as pessoas nos lugares indicados. Nem sinal das apresentadoras. Nem um pequeno ensaio de luzes. Nada.

E, de repente, por detrás de mim, aparece Tânia Ribas de Oliveira com aquele lindo vestido branco, a cumprimentar de longe as pessoas que rodeavam o cenário. Sónia Araújo também não perde tempo, e todos ficam pensar se ela usa ou não extensões no cabelo. Seja como for, lindíssimas. Oiço de fundo alguém a afirmar: "A Sónia Araújo é tão magra, não se vê nem uma gordurinha naquele corpo". Quem pode, pode. Quem é fitness, pode tudo.

21h00: "Faltam cinco minutos para começarmos. Já ninguém pode mais entrar no estúdio". Os nervos aumentam, ainda não se viu nenhum artista. "Esta segunda semifinal é bem melhor que a primeira", oiço, na expectativa que esteja aqui o nosso representante eurovisivo.


Ainda nem o festival começou e já sinto dor nas costas. De barriga vazia, tento arranjar alguma forma para me sentir confortável nos assentos que a RTP nos disponibilizou. Mas em vão. A dor não passa. RTP, podias ter colocado nem que seja uma almofadinha ou um encosto para as costas. Acredita, nós agradecíamos.

Ui, Tânia, cuidado! Não caias logo no primeiro minuto que começa o festival. Eu sei que ia aumentar as audiências, mas ninguém quer que saias magoada! Apresentações feitas, encha-chouriços também, e rapidamente as atuações começam.

A Maria Inês Paris não sai muito satisfeita após a sua atuação. Parece que a RTP iniciou demasiado cedo o instrumental e, quando a emissão em estúdio foi para o ar, a música já tinha começado há uns valentes 10 segundos. Da mesma frustração não partilha Dora Fidalgo, que sai de sorriso rasgado do palco e a acenar para o público.


Até chegar Sequin e o público baixar a cabeça de desilusão: "Pensei que a canção fosse melhor". Oiço, e concordo com muita pena minha. Era a proposta em inglês de que mais gostava. Pensava eu. Mas os pensamentos dissipam-se quando o Diogo Piçarra se prepara para cantar a sua "Canção do Fim". Os aplausos ouvem-se, as ovações também, e eu só sei que o vencedor do festival já foi encontrado. Tinha a certeza absoluta de que, viesse o que viesse, nada era capaz de impedir a vitória ao jovem Diogo.

Ainda atordoado da atuação fascinante, oiço com pouca atenção David Pessoa e Tamin. Parecem propostas aceitáveis, mas não suficientemente fortes para ganhar. A Cláudia Pascoal, com o seu cabelo rosa vibrante, sorri e deixa todos à sua mercê. A forma como esta rapariga expressa as palavras, a maneira crua e sincera com que canta... bem, todo eu estava arrepiado dos meus pés até à minha cabeça. É pena existir um Diogo, porque se não... a vitória era da Cláudia. E eu que achava que ela já merecia ter ganho o The Voice...


A alegria volta a surgiu. "Patati Patata" surge e põe as pessoas a dançar mesmo sentadas. Das atuações mais aplaudidas e acarinhadas, até o júri sorri a vê-las a cantar de forma tão terna em palco. Que queridas.

Rita Ruivo e Susana Travassos seguem. Um momento mais calmo, introspetivo, como acontece em quase 80% das músicas deste Festival da Canção. "A voz da Susana é muito boa", "Queria ter um corpo como o da Rita", continuo a ouvir. E eu só penso: "Para quando o intervalo? As minhas costas sangram de dores."


A rainha aparece, entretanto, em branco. Lili veio para arrasar. Mas que voz incrível. Dá uma abada a qualquer um nos tons agudos. O público parece gostar, eu achei, sinceramente, mais ou menos.

Já ninguém tem postura para as últimas duas atuações. Daniela Onís canta lindamente a sua fraca canção, e a música do Peter Serrado lembra-me a tantas que se ouvem na rádio hoje em dia. Não me parece que seja o ano em que apostemos no inglês...




Finalmente, intervalo. Graças a Deus! Graças à RTP! Levanto-me logo, preciso de esticar o meu corpo. A barriga dá horas. E eu ainda tenho uma hora para esperar pelos resultados. O que vale é que os intervals acts não foram, de todo, maus e esquecíveis. Aquela interpretação do Playback, uau, o palco ia abaixo! E o Herman José, em tom provocador e sedutor, a querer dar um beijo às apresentadoras e aos jurados.

Vamos lá despachar aquilo que é previsível. Diogo Piçarra, o favorito do público, como era esperado. E também do júri. A segunda canção, da Cláudia Pascoal, também a ser unânime no júri e televoto. As músicas em inglês super mal classificadas - nem sei como o Peter conseguiu a passagem. A repetição da Maria Inês Paris deu-lhe jeito - à segunda vez ficou no ouvido do público...

Afinal o Festival da Canção não tem assim tanta polémica. E não vale a pena fazer apostas e trocar opiniões de quem vai vencer o concurso. Esse tem apenas um nome: Diogo. Decorem o nome dele, porque ele vai fazer estragos na Eurovisão.

Esta crónica está disponível numa versão áudio, acompanhada por um vídeo que mostra a vida no estúdio da RTP durante o Festival da Canção. Ouça a crónica no vídeo que se segue.


Imagens/Vídeos: RTP

FC 2018 (1ª semifinal): "Boa m****"

por fevereiro 20, 2018

Oito horas da noite e lá estávamos nós – imprensa, amigos dos artistas, convidados, técnicos, apresentadores, artistas, mais artistas... E afins –, no estúdio 1 da Rádio e Televisão de Portugal (RTP), à espera dos oito minutos das nove da noite, hora a que, finalmente, ou não, as televisões dos portugueses foram brindadas com a primeira semifinal da 50ª edição do Festival da Canção.

"Boa merda!", gritou alguém do backstage para Jorge Gabriel. E este retribuiu. "Boa merda"... "Boa merda" foi o mote.


Após a habitual introdução e após recordarmos a egrégia e eterna Madalena Iglésias, lá entraram Jorge Gabriel e José Carlos Malato e lá demos as boas vindas a Inês Lopes Gonçalves, que foi despromovida a apresentadora de green room e promovida a apresentadora de green room (é como quiserem). Olá júri, olá Isidro, adeus Isidro. Luísa! E começou finalmente o desfile das 13 canções.

Olhei para o lado e estava tudo com um ar aborrecido, mas era preciso manter a postura porque: 1) estávamos mesmo atrás do palco e dava mau aspeto estar feito animal invertebrado, de corpo todo curvado; 2) cantava o primeiro intérprete... Não fosse ele mandar-nos para a Austrália num estalar de dedos.



Conversa para ali, conversa para acolá, porque encher chouriços é uma coisa típica dos portugueses, lá iam os assistentes de produção preparando o palco para a atuação que se seguia. Nem foi preciso olhar para o teleponto para perceber que vinha aí a Anabela. "Não há intervalo a meio das atuações?", balbuciei para o lado, na esperança que surgisse um sim, mas o senhor à minha esquerda continuou com os olhos colados ao telemóvel.




"Os backing vocals são os mesmos em todas as atuações", pensei, enquanto me encantava com a entrada da Joana Espadinha. "As roupas combinam e tudo". Foi a maior surpresa da noite, tendo em conta os 45 segundos oferecidos no início da semana. 

"Um amplificador? Só pode ser para o Janeiro!" Aparentemente a virtude está mesmo no meio. Janeiro entrou (com roupa de mecânico, mas ninguém quis saber disso), a luz apagou e a magia entrou no estúdio da RTP. Olhei para os lados: os mais aborrecidos até tinham ganho outra cor e não havia ninguém a mexer no gadget de bolso. 



Durante a VT do José Cid várias pessoas do público esboçaram sorrisos... Se era ironia ou pura realidade não deu para entender... O Cid não agrada a toda a gente, já se sabe. Tal é a surpresa quando olho para a frente e me apercebo que há mais para além do característico piano. Obrigada José Cid.

Não desvalorizando as atuações que haviam passado, aliás, valorizar, a negrito e tudo, a grande voz do Peu Madureira, que conseguiu por todo o estúdio em ordem, mas o melhor ficou mesmo para o fim! O melhor do pior. JP Simões deixou toda a gente num tremendo alvoroço; "não estou a aguentar estas luzes", comentei, quando até os bancos, uma espécie de pedra forrada com papel espuma, tremiam por todo o lado. O nome da canção tinha ganho vida. 

Maria Amaral e a sua voz doce entraram em palco e desiludiram todos os que estavam ao meu lado. "Não acredito", comentaram comigo, logo após Maria Amaral se descair. Foi a última canção e já estava tudo sem postura.




Durante o intervalo, a vida no estúdio não parou, José Carlos Malato aproveitou para fumar, Jorge Gabriel apoveitou para cantarolar e dançar, e eu, como todos os outros, aproveitei para esticar as pernas e as costas. Já haviam passadas duas horas. "Faltam quatro minutos!", gritou alguém da produção. Tudo a correr para os lugares, para não perder o restante espetáculo. "Ainda vão passar a VT das canções e ligar à green room", diz o senhor ao meu lado, descontraído, enquanto escreve um post para o Twitter; aproveitei também para pôr as redes sociais em dia. 




Não podiam faltar as homenagens a Carlos Paião... "Bons tempos", pensei enquanto cantarolava "Vinho do Porto"; e logo de seguida mais uns minutinhos de intervalo. Mas aquele intervalo foi diferente... Ninguém queria sair do estúdio... Já estávamos todos em pulgas para saber as votações. Ao início da última meia hora, ainda nos rimos todos um bocadinho, até Malato e Jorge Gabriel, quando ouvimos Fernando Tordo a responder "é porque isto é muito divertido", com cara trancada. Até coloquei o telemóvel de lado para ouvir atentamente o resto da entrevista...


"Também eu queria água fresca", lamentei enquanto ouvia Dina e observava o Júlio Isidro a deslocar-se com os votos na mão. 


"Expectável", pensei ao ver a votação do júri. Foi uma votação íntegra e justa, das mais justas que me lembro, mas fiquei com pena da Rita Dias... Merecia pontuação. 

Soltei umas boas asneiradas enquanto ouvia, e via no ecrã led atrás de mim, as pontuações do televoto; soltei eu e soltou imensa gente que estava ao meu lado. O estúdio todo sussurava, todos ansiosos por saber quais os sete magníficos.


Desilusões e surpresas à parte, a VT dos sete mais votados passou, os artistas finalistas e a Inês Lopes Gonçalves entraram no estúdio e eu levantei-me, discretamente, pois sabia que a emissão ainda estava no ar.

Saltei para o palco à procura de artistas para congratular, mas estavam todos a dar entrevistas. Todos queriam falar com os grandes. "Parabéns, grande apresentação!", disse, dirigindo-me a Jorge Gabriel.

Sensação de dever cumprido era o que via em todas as caras; sensação de dever cumprido era o que eu queria que vissem na minha cara. "Boa merda", lembrei-me, já à saída dos estúdios da RTP. Foi assim que se começou esta semifinal e é assim que quero terminar a minha reflexão, porque nem sempre a palavra "merda" é grosseira e tem sentido negativo.


"Boa merda".


Esta crónica está disponível numa versão áudio, acompanhada por um vídeo que mostra a vida no estúdio da RTP durante o Festival da Canção. Ouça a crónica no vídeo que se segue.


Imagens: RTP; Lux

[Crónica FC 2017]: "Obrigado por nos fazeres acreditar, Salvador!"

por março 08, 2017


Aconteceu domingo, dia 5 de março, a final do Festival RTP da Canção 2017. Salvador Sobral foi o grande vencedor da noite com o tema "Amar pelos Dois", autoria de Luísa Sobral.

Antes de comentar a vitória deste ano, não posso de fazer uns primeiros comentários sobre a edição que a RTP realizou este ano. Pelas pessoas com quem eu já falei, a mesma opinião é significativa: houve um esforço por parte da RTP para inovar. Notou-se que houve cuidado na escolha dos compositores (como Nuno Feist, João Pedro Coimbra, Noiserv...) e que a emissora incentivou-os a apresentarem canções melhores. Além disso, houve cuidado nos compositores em escolher personalidades musicais conhecidas pelo público, mesmo que sejam através de programas de concursos de talentos, bem como na diversidade de apresentadores. Tivemos personalidades célebres na apresentação, e o clímax aconteceu na final quando Sílvia Alberto e Catarina Furtado, as atuais caras principais deste festival renovado, deram a cara e apresentaram brilhantemente o concurso.



Os locais escolhidos também foram boas opções. As primeiras duas semifinais aconteceram nos próprios estúdios da RTP, que apresentaram um cenário mais inovador e moderno; e a final aconteceu no grande Coliseu dos Recreios. Admito que quando penso que o festival que eu amo conseguiu subir a uma das salas mais importantes do país... fico todo cheio de orgulho. Aliás, a sala do Festival da Canção deveria ser sempre uma dos maiores do país - não sei porque nunca esteve lá.

Um ponto positivo é também as mudanças no regulamento. Só o facto de existir a possibilidade de se levar a concurso canções em inglês é ótimo para a internacionalização musical do país. Mas, também, acredito que a música é universal, seja em qual língua for. É pena é que o júri não ache isso e despromova músicas em inglês, contrariando o regulamento da RTP.


Mas, todos nós sabemos, que a renovação não se faz de um ano para o outro. Há coisas que correram pior, e todos nós sabemos isso. Apesar do esforço, as músicas não eram assim tão boas. As semifinais foram sinónimo disso mesmo, por isso é que o festival, após a primeira semifinal, recebeu tantas críticas nas redes sociais.

Além disso, em relação à apresentação do Festival RTP da Canção três coisas deixaram a desejar: os interval acts das semifinais; a fraca qualidade do som, principalmente nas semifinais, bem como no aproveitamento do Festival RTP da Canção 2017 no Coliseu dos Recreios para comemorar os 60 anos da emissora pública. Por um lado fico feliz por considerarem que o melhor programa para festejar toda a história da RTP seja através do Festival RTP da Canção (podiam ter este pensamento todos os anos), mas estenderam demasiado e o concurso ficou demasiado chato e aborrecido.

Aos não-apurados, destaco que a final precisava da presença da fantástica Lisa Garden, que dava um ar mais fresco, juvenil e bem humorado a um Festival RTP da Canção repleto de baladonas, bem como da Beea, que trouxe um fado muito simpático pelas mãos do enorme Jorge Fernando.


Em relação aos oito finalistas, foi mostrada ao público uma final nacional acima da média, se compararmos com os anos anteriores, mas ainda não fantástico. Penso que o Festival subiu alguns degraus em termos de qualidade.: Jorge Benvinda trouxe-nos uma música humorada, bem portuguesa, que nos deixa curiosos pelo historial de música que os Virgem Suta têm; Fernando Daniel mostrou, mais uma vez, que consegue cantar qualquer coisa, mesmo que tivesse em mãos uma das composições mais fracas do extraordinário Nuno Feist (saudades de "Sonhos Roubados" ou da "Outra Vez Primavera"); Celina Piedade, bem no seu estilo musical, encehu o palco de alegria e de boa disposição..

No entanto, não entendo a presença de Lena d'Água. Apesar de ser uma cantora bastante conhecida, trouxe, possivelmente, a música com menos potencial para o concurso. Não sei quais foram os critérios para o júri lhe dar tantos pontos na 2ª semifinal. Também não entendo a passagem de Deolinda Kinzimba: apesar de ser uma das melhores vozes no panorama musical português e de ter melhorado a olhos vistos da semifinal para a final, a balada "O Que Eu Vi Nos Meus Sonhos" deixava bastante a desejar. É uma pena porque a Deolinda é fantástica.


Destaco, ainda, a participação de Pedro Gonçalves e dos Viva La Diva. Tenho a agradecer enquanto fã pelo esforço em tentarem inovar o Festival da Canção e por trazerem algo de diferente ao mesmo. Tanto "Don't Walk Away" ou "Nova Glória" tinham imenso potencial, mesmo que existissem alguns problemas a reparar. Mas espero que regressem ao concurso, porque é de louvar o talento e a ousadia que tiveram este ano.


Por fim, o excelente Salvador Sobral! Primeiro que tudo, não posso deixar de admitir que estou imensamente feliz pelo meu favorito ter ganho o concurso que eu amo. "Amar Pelos Dois" pode não ser a música mais inovadora e moderna do Festival Eurovisão da Canção, mas é uma canção que prima pela qualidade, tem um lindo poema e uma interpretação fenomenal que há muito tempo não tínhamos no concurso. Desde 2008 que não sentia tanto orgulho num representante português e sei que este ano vamos fazer história - Salvador Sobral já está a fazer mossa nas redes sociais e nas casas de apostas, e tudo isto pela sua genialidade, pela sua diferença, pela sua qualidade artística. Acredito seriamente que Portugal pode figurar o top 10 do Festival Eurovisão da Canção, se houver justiça neste mundo.

Obrigado por nos fazeres acreditar, Salvador!

[Crónica FC 2017]: "Viva ao regresso português ao palco eurovisivo!"

por março 07, 2017

Este ano o Festival RTP da Canção voltou. Muitos foram os meios de comunicação social que falaram sobre toda uma renovação em torno do evento. Falava-se de um “novo ar” assim como de uma inovação demarcada – visto que, em termos de regulamento, poderiam os temas ser apresentados totalmente na língua de sua majestade, o inglês. As expectativas eram altas, o acreditar dos portugueses, daqueles que ainda seguem toda esta festa, pareciam renovados e esfusiantes. 

Ver o Festival a surgir, novamente, no panorama e na boca de todos, foi algo bastante positivo, e com certeza trouxe mais pessoas a assistirem, ou a descobrirem, este evento que já deteve uma importância e um relevo tão acentuado no nosso país.


Longe vão os tempos em que Portugal parava para assistir ao Festival RTP da Canção. Longe vão os serões das famílias portuguesas em frente à televisão a vibrarem com as atuações. Simone de Oliveira, Carlos Paião, Madalena Iglésias ou até mesmo António Calvário, tornaram-se uma lenda e nomes que ficarão para sempre perpetuados e associados a este certame.

Com “sangue novo”, assim como era anunciado, vi algumas mudanças em torno da organização e da presença de novos rostos – tão necessários para contribuírem para um renovar do Festival. Porém, esperava um pouco mais, e acredito que todos o esperassem. Muitos artistas vinham de concursos levados a cabo pela própria RTP e ao mesmo tempo, outras figuras por lá permaneceram – ficando sempre aquele sentimento de que voltaríamos a ver tudo de novo. Repetição de velhos hábitos e a presença de antigos costumes.

Destaco que alguns temas, mesmo antes de os conhecer em concreto, despertaram-me algum interesse - preferindo falar deles um pouco mais adiante. Tinha as minhas expetativas controladas, confesso, mas acreditava que poderia assistir a algo inédito no Festival. E tal não foi, em todo, um engano.

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Se existiram temas que não primaram pela diferença, e que acabaram por ser mais uma repetição do que se tivera assistido em anos anteriores, surgem outros interpretes e outras composições que marcam muito esta, tão desejada, viragem em torno de Festival. Como se ouviu ontem, segundo o que alguém parafraseou, trata-se de “preservar as memórias, inovando-as”. Penso que é isso que aqui se procura, mas para isso temos de ter jurados que não se prendam tanto ao que assistimos no passado, mas sim ao que se vê no palco da Eurovisão – temas arrojados e comerciais.

O tema composto pelo Nuno Figueiredo e interpretado pelo Pedro Gonçalves é um exemplo claro disso. A inovação e a criatividade foi uma constante. Assumo que conseguiria ver aquela canção no palco da Europa, sem que me sentisse melindrado pelos outros países. Sabendo, contudo, que teria de assumir novos arranjos, e acrescentar um pouco mais de vida, considero que no geral tinha bastante potencial para nos representar “lá fora”.


Por outro lado, ainda hoje me questiono como é possível assistirmos ao tema "Nunca Me Fui Embora", interpretado pela Lena d'Água, numa final. Será que não existiam outras opções melhores? Mas como qualquer Festival tem de ter um pouco de burburinho em torno do mesmo, vou assumir esta passagem como um mote para isso mesmo. 

Não poderia, então, deixar de referir outros temas que me agradaram, mas que acabaram por ficar pelas eliminatórias respetivas. Exemplo disso são: a Lisa Garden; a Márcia e a Beatriz Felício – dando primazia a este último nome que considero ter um potencial enorme e um futuro feliz pela frente.

Agora poderia falar do vencedor, e assim rematar toda a minha crónica, mas prefiro ainda falar de outros aspetos e, só depois, tecer a minha opinião acerca do tema que nos representará em Kiev. 

Considero que a RTP este ano tentou melhorar. Merece o meu aplauso pela vontade, mas realmente, nem tudo correu bem. Respetivamente às semifinais, a acústica não foi a melhor e o palco não estava bem conseguido, visto que não resultou bem a conjugação entre o público e o local preciso em que os interpretes atuaram. Os grafismos deixaram muito a desejar, e as composições – que tantos pensavam ser um arraso – acabaram por se apresentar medianas.

Destaco, contudo, a organização, que foi incansável na preparação e na organização das pessoas pelo espaço – o que já não aconteceu no Coliseu dos Recreios, aquando da Grande Final do Festival RTP da Canção. Acho que ainda temos um grande caminho por percorrer, se compararmos com outros países que lutam, realmente, por vencer e deixar a sua marca na Eurovisão. 

Que tal renovarmos tudo? Reinventarmos o Festival? Largarmos velhos hábitos e estamos mais recetivos à inovação? Que tal olharmos este concurso não só em ponto micro, mas sim em ponto macro? Temos de pensar no que a Europa procura, e não somente no que o público português vota.


Acho que temos de voltar a dar a dignidade que merece o Festival, e quando ela foi reestabelecida, aí sim, podemos voltar a ter grande nomes a concurso – tornando o evento em algo prestigiante e nunca o desvalorizar de um artista. Eu quero acreditar nisto, e penso que todos os que seguem e que são apaixonados por isto também o queiram.

Chegando, assim, à final, destaco os medleys que foram fantásticos, contrariamente aos das semifinais, e às atuações repletas de luzes e efeitos visuais. Também o palco é um ponto positivo que destaco. Para mim, a dupla de apresentadora, assim como a presença da Filomena Cautela, foram um dos pontos altos, sem qualquer margem de dúvida.

A aproveitação do Festival para se proceder à comemoração dos 60 anos da RTP, não foi, de todo, uma boa ideia. Prolongaram de mais o evento, e acabaram levar a alguma dispersão do verdadeiro sentido, pelo qual, as pessoas ali estavam. Pareciam dois eventos num só, e isso não foi bem conseguido.
Finalizando, e rematando esta minha opinião, que vale o que vale, terei de falar do nosso Salvador, e do tema que nos irá representar.

Se há coisa que tudo isto prova é que menos é mais, e que não é preciso grandes misturas de géneros, nem salientes decotes, para se conseguir o que quer que seja. Mais do que uma vitória da simplicidade, eu atrevo-me dizer que a vitória dos irmãos Sobral, é uma vitória da humildade. Gostei de ver que os portugueses valorizaram isso.

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Não acredito que estamos mal representados, muito pelo contrário, acredito que vamos com uma das melhores apostas dos últimos anos – comparativamente ao que nos aconteceu no ano de 2008. Saberei que independentemente do resultado, ontem naquela escolha fomos grandes. E grandes continuaremos a ser, sempre que acreditarmos na força que temos, sempre que olharmos para o Festival e vermos neles uma paixão, e o resultado de tantas caras que lutaram para que ele continue vivo. 

Viva ao regresso português ao palco eurovisivo! 
Viva à paixão que nos unem a uma mesma canção!

Imagens: sol.pt, TVMais.pt e RTP

[CRÓNICA] 'Onde já ouvi isto: Plágio na Eurovisão?'

dezembro 10, 2016



Onde já ouvi isto: plágio na Eurovisão?



Plágio é um termo forte, frequentemente utilizado aquando da troca de acusações entre fãs de concorrentes adversários. Quem nunca satirizou uma “inocente” música após esta derrotar a nossa favorita? Nunca irei esquecer o tema russo de 2008 que, vindo diretamente da América, surripiou os nossos sonhos de uma merecida vitória. Terá este tema sido um plágio? Original não é decerto, basta recordar que o produtor de “Believe”, Timbaland, produziu, na altura, imensos hits de sucesso, todos com a mesma batida.


Neste texto vou listar alguns temas eurovisivos que apresentam semelhanças, às vezes demasiado notórias, com outros temas que os precederam. Não pretendo acusar ninguém de plágio, nem mesmo os autores de temas que são tão maus que nem merecem a honra de serem chamados de “música” – e acreditem que ainda são bastantes. Deste modo, escolhi cinco temas eurovisivos/festivaleiros, que serão apresentados e comparados com os seus temas “familiares”. E que comecem as hostilidades...

Comecemos logo com um tema de 2016, cabendo à Bélgica a honra de iniciar esta lista, tendo como “gémeo” o tema de Fleur East intitulado “Sax”. É verdade que muitos fãs de Laura Tesoro afirmam que o seu tema foi escrito antes do “Sax”, mas a verdade é que este último foi divulgado primeiro. Embora o tema possa ter sido composto há vários anos, é inegável a batida que relembra "Another One Bites the Dust" dos Queen. Mais ainda, a similaridade do tema reside ao nível da produção, algo que deve ter sido finalizado após a divulgação de “Sax”. Acusações à parte, as semelhanças são notórias.

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E porque não continuar com o ESC 2016? Mais especificamente com uma música que toca em rádios lusas (sim, já a ouvi na rádio enquanto cumpria o meu horário de trabalho) e que tem o selo de sucesso sueco. Estou, claro, a falar do “If I Were Sorry”, tendo como tema de comparação o, também conhecido, “Catch And Release” de Matt Simons. A forma serena de cantar é muito idêntica, com um ritmo pausado e uma melodia simplista – uma fórmula de sucesso nos dias de hoje.

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Já não é a primeira vez que a Suécia é acusa de “copiar” temas de sucesso, alterando fragmentos de músicas, e “inspirando-se” em sonoridades bastante conhecidas do público. Outro caso polémico remete para o tema vencedor de 2015, "Heroes", amplamente acusado de plagiar o tema de David Guetta “Lovers on the Sun". Muitas foram, e ainda têm sido, as acusações de plágio direcionadas aos temas suecos anteriormente explicitados, no entanto, pelo menos para a EBU, estas acusações não apresentaram fundamento, e nenhuma ação foi tomada com vista a punir os alegados responsáveis. Não cabe a mim julgar ninguém, e até serem provados culpados todos são inocentes, mas as semelhanças são evidentes…

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Continuando com uma vencedora, desta feita uma que aprecio bastante, mas que não se apresenta totalmente inocente no que toca a similaridades suspeitas – “Only Teardrops”, o tema dinamarquês que venceu o ESC em 2013. Aparentemente o toque “étnico” do tema não é tão original quanto se possa pensar, com uma intro muito idêntica ao tema dos K-Otic intitulado “I Surrender”. O próprio refrão também levanta algumas questões no que toca à originalidade…

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Antes de terminar, não podia deixar de dar um toque luso a este texto e, embora sejamos frequentemente parcos em qualidade no que toca a Festivais de Canção, com alguma pesquisa não é difícil encontrar alguns exemplos de alegados plágios – reforço a parte dos “alegados”! Recuando a 2010, recordemos um tema de Dennisa, tendo como título "Meu Mundo de Sonhos". Embora não seja uma música de sonho, existe algo na sonoridade de fundo que soa a familiar, nomeadamente a um tema de 2005, já ele pouco original… Estou a falar do bósnio “Call Me”, interpretado pelas Feminnem. Existem bastantes coisas que separam estes temas, começando logo pela qualidade, mas não podemos deixar de os considerar uns ”primos afastados”.

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Plágios, plágios, plágios… Sinto que chegamos a uma época onde quase tudo soa a plágio, e não me refiro só à Eurovisão. A indústria da música, pelo menos a mais comercial, parece enfrentar um duro desafio, com a originalidade a escassear. As músicas, à semelhança do que acontece na Eurovisão, são feitas a partir de receitas básicas, sendo concebidas para entrarem facilmente no ouvido. 

Na Eurovisão tolero mais facilmente que isso aconteça, dado que é um evento de curta duração (exceto para os verdadeiros eurofãs, que conhecem as músicas com semanas e até meses de antecedência). Deste modo, os compositores tentam criar temas orelhudos, com sonoridades atuais e que já nos conquistaram previamente de modo a ganharem os nossos votos. Se isto é correto? Claro que não! Mas as acusações de plágio são dificílimas de comprovar, e tornou-se muito complicado estabelecer a linha que separa (momento de publicidade antiga) o que é idêntico do que é plágio.  

Confesso que sinto falta de ouvir músicas eurovisivas que me surpreendam verdadeiramente e que consigam conquistar os meus ouvidos, não por serem familiares, mas por terem uma qualidade por apreciar. Infelizmente, não tenho grandes expetativas que este cenário venha a mudar, muito pelo contrário, acredito que teremos, cada vez mais, sonoridades “fórmula”, usadas para atrair a nossa atenção pelo tempo estritamente necessário, mas que nos irão “enjoar” a médio-longo prazo. 

A Suécia, cada vez mais o país-rei eurovisivo, é o exemplo perfeito no que toca a criar fórmulas eurovisivas de sucesso, tendo recorrido à sonoridade ABBA vezes sem conta e estando agora a ditar novas tendências no que toca à performance eurovisiva. É normal que os países queiram ter sucesso e tendam a “inspirar-se” nos países mais bem-sucedidos, mas no meio deste processo perde-se o mais importante: a essência cultural de cada nação. 


Por hoje, e por este mês, é tudo. Até a próxima, com mais um novo e sempre polémico tema.

Imagem: Eurovision.tv/Vídeos: Youtube
10/12/2016

[Crónica]: o regresso do Festival RTP da Canção

por julho 29, 2016

Olá Europa, daqui fala Portugal: estamos de volta!

Bem, a hora para falar sobre o nosso regresso chegou, e eu vou tentar criar uma imagem clara sobre o nosso antecipado retorno à Eurovisão. Por que devem atentar à minha opinião? Isso é algo que terão de julgar até o final deste humilde texto.

Eu sou eurofã desde que me lembro, e sempre sofri com os maus resultados portugueses... Choro ainda mais com os nossos persistentes maus resultados eurovisivos do que com as derrotas e recentes vitórias (!!!) da nossa equipa nacional de futebol - sim, temos o Cristiano Ronaldo e, já agora, a irmã dele não é uma grande cantora, verifiquem vocês mesmos.

Este foi um ano triste, não participámos no certame, porque o nosso serviço público de radiodifusão - RTP - preferiu gastar o (nosso!) dinheiro em futebol e concentrar-se em novos conteúdos (basicamente, em programas de “caça talentos”... uau, certo?!). A revelação da sua súbita mudança de planos, com a compra dos direitos de transmissão do ESC 2016 foi bem recebida, mas deixou-me com algumas dúvidas. Por que motivo a EBU deixou-nos comprar os direitos de transmissão a um preço especial? Para aumentar o número de telespectadores? Nós somos tão poucos, já que a maioria da nossa população deixou o país para trabalhar para o estrangeiro, e aqueles que permanecem preferem ver reality shows. Terá esta ação sido motivada com promessas de um regresso “poderoso”? Esta nunca é uma grande possibilidade quando se trata de Portugal… Não somos a Itália.


A verdade é que algumas pessoas da RTP falam de um regresso forte em 2017. Até o nosso comentador oficial do ESC 2016 passou quase todos os shows a falar sobre o grande regresso que o nosso país vai protagonizar, com um forte plano que já está a ser preparado. Parece que algumas reuniões foram realizadas, e há uma clara intenção de surpreender. Isto é maravilhoso, não é? Bem, eu estou um pouco cética e vou explicar porquê.

Este discurso não é novo, ouvimos a história do "grande plano" antes e não correu bem. Já em 2005, a RTP alegadamente "enlouqueceu" e tentou algo novo (não necessariamente bom!), tentando aumentar o interesse dos nossos telespectadores. Eles tentaram criar um novo formato, uma performance ousada, pelo menos em teoria, porque o que aconteceu foi algo totalmente diferente. Convidaram alguns compositores bem conhecidos por composições eurovisivas anteriores (lembram-se da "Lusitana Paixão"?), mas o resultado esteve longe de ser perfeito. Amador é um bom termo para definir o instrumental. Eles também convidaram um coreógrafo famoso, que tentou o seu melhor para criar uma coreografia original, que não conseguiu ligar-se à música, acabando por se tornar num completo fracasso. Os cantores, embora competentes, eram quase desconhecidos na altura (agora eles têm carreiras nacionais relativamente boas), e tiveram a difícil tarefa de cantar algo completamente estúpido - por favor, leiam a letra e pensem. A principal mudança, além da completa falta de instrumental, foi o refrão em inglês, foleiro, mas pelo menos permitiu que os outros nos compreendessem. Talvez vocês já nem se lembrem desta música, e isso é um claro sinal de que foi um completo fracasso (17º na semifinal).



Este exemplo é a principal razão pela qual não posso acreditar ingenuamente no que diz a RTP. Portugal tem um registo desastroso na Eurovisão, e eu não vejo uma possibilidade clara para que isso mude. Talvez a RTP venha a convidar alguém com potencial para nos surpreender e a toda a Europa. Talvez eles voltem à velha fórmula e organizem o Festival da Canção, arriscando enviar mais do mesmo.

Eu não sei o que vai acontecer, tento manter um pouco de esperança, mas como eu disse anteriormente permaneço cética, porque há uma história e não é ótima para nós. Nem tudo é mau, eu acredito que Portugal tem apresentado boas canções, provando que podemos criar boa música. Com o passar do tempo, começámos a desinvestir, sentimo-nos desvalorizados e começámos a enviar o pior lixo possível – lembram-se dos Homens da Luta? Pois é; nós já enviámos canções com mensagens políticas, mas não com a qualidade da música de Jamala... Nem sequer metade.

Bem, é isto pessoal. Pelo menos temos o Algarve, no qual todos são bem-vindos. Esperamos encontrar-nos em 2017, e eu ficaria muito feliz se tiver de admitir que estava errada. Seria ótimo ter todos os eurofãs em Portugal, e tenho certeza de que teriam um grande evento aqui, onde todos poderiam expressar a sua individualidade livremente na nossa paixão comum: a Eurovisão!


ENGLISH VERSION

Hello Europe, this is Portugal calling: we’re back!

Well, the time to talk about our comeback has come, and I will show you a clear picture about our most-wanted return to Eurovision. Why should you care about my opinion? That’s for you to judge by the end of this humble text.

I’m an eurofan since I can remember, and I always suffer with the poor Portuguese results… I cry even harder with our persistent Eurovision bad results than with the losses and recent winnings (!!!) of our football national team – yeah, we have Cristiano Ronaldo and, by the way, his sister isn’t a great singer, check yourself.

This year was a sad one, we didn’t participate in the contest, because our public service broadcasting – RTP – preferred to spend it’s (our!) money in football and focus in new contents (basically, in talent shows… wow, right?!). The revelation of their sudden change of plans, buying the rights of transmission of the Eurovision 2016 was well received, but left me with some doubts. Why should the EBU let us buy those rights with a special price? To increase the number of TV viewers? We are so few, since most of our population left the country to work for you, and those who remain, mainly, prefer reality shows. Was it a move motivated with promises of a powerful return? That is never a great possibility when it comes from Portugal, we’re not Italy.


The true is that some people from RTP are talking about a strong return in 2017. Even our official commentator in the Eurovision 2016 spent almost all the shows speaking about the great return that our country will make, with a strong plan that is already been prepared. It seems that some meetings were held, and there’s a clear intention to surprise. That’s wonderful, isn’t it? Well, I’m a little bit sceptic and I will explain you why.

This speech isn’t new, we heard the “great plan” story before and it didn’t go well. Back in 2005, RTP allegedly “went nuts” and tried something new (not necessarily good!), trying to increase the interest of our TV viewers. They tried to pull out a new format, a bold performance, at least in theory, because what went down was something totally different. They invited some composers, well known from previous Eurovision compositions (remember “Lusitana Paixão”?), but the result was far from great. Amateur is a good term to define the instrumental. They also invited a famous choreographer, that tried his best to came up with an original choreography, that failed to connect with the song, and turn out to became a complete failure. The singers, although competent, were almost unknown by the time (now they have relatively good national careers), and they had the hard task to sing something completely stupid – please, read the lyrics and think about them. The major change, a side the complete lack of instrumental, was the English chorus, cheesy but at least you could understand something that we sung. Maybe you didn’t even remember our song from 2005, and that is a clear signal that was a complete failure (17th in the semi-final). 


This example is the main reason I can’t naively believe in what RTP says. Portugal has a disastrous record in Eurovision, and I don’t see a clear chance for that to change. Maybe RTP will invite someone with potential to surprise us, and all the Europe. Maybe they will return to the old formula and organize the Festival da Canção, risking sending the same old type of songs. 

I don’t know what will happen, I maintain a slightly hope, but as I said before I remain sceptic, because there’s a history, and it isn’t great for us. Not all is bad; I believe that Portugal has shown good songs, proving that we can create good music. With passing of time, we started disinvesting, we felt unappreciated and started sending the worst garbage possible – remember Homens da Luta? That’s right; we already sent songs with political messages, but not with the quality of Jamala’s song… Not even half.

Well, that’s it folks. At least we have Algarve, so you’re welcome. Hope to see you in 2017 and I would be extremely happy if I have to admit that I was wrong. It would be great to have all of you in Portugal, and I’m sure you would have a great time here, being able to express your individuality freely in our common passion: Eurovision!

Imagem: media.rtp.pt e quinto-canal.com
29/07/2016

Crónica: 'E se Portugal ganhasse a Eurovisão?'

por junho 16, 2016

O que deveria Portugal fazer se ganhasse o Festival Eurovisão da Canção (ESC)? Que qualidades o nosso país tem para organizar um evento europeu?

Aqui há uns tempos estava a falar com uma grande amiga minha sobre o Festival Eurovisão da Canção. Nesta conversa como é óbvio, soltei o meu "grito de revolta" pelo facto de Portugal nunca ter conseguido ganhar o evento, e, na minha opinião, essas constantes derrotas não são por falta de qualidade.

Durante esta conversa, a minha amiga, com a qual cresci e desenvolvi a paixão pelo Festival, mencionou que o 'Meo Arena' era maior do que todos os pavilhões por onde a Eurovisão passou, ao início duvidei desta informação que me parecia um pouco exagerada. Mas após uma pequena pesquisa verifiquei que afinal a ideia da minha amiga não era tão descabida como parecia. 

Ora vejamos, a Globe Arena, local onde se realizou o Festival Eurovisão da Canção 2016, ao contrário do que parecia nos "pequenos ecrãs" que temos lá em casa, era um pavilhão relativamente pequeno, uma vez que tem apenas 16 mil lugares, enquanto que o pavilhão português possui 20 mil lugares.


Vários artistas, nacionais e internacionais afirmam que o público português é um dos mais fortes e dos mais calorosos não só a nível europeu mas também mundial, mas será que de facto é algo verdadeiro, ou será apenas um comentário simpático facilmente esquecido com o passar do tempo?


Portugal nunca ganhou o Festival. Ou melhor, Portugal nunca ganhou nada. Quer dizer, Portugal nunca é valorizado por aquilo que fez e faz. Mas... o que faria Portugal caso ganhasse o maior evento de música europeu? Como é óbvio, o local seria bastante fácil de escolher: Meo Arena, seria com certeza o local de realização, mas pergunto-me: Será que a RTP, que tem alguma dificuldade (para não dizer bastante) a organizar o concurso nacional, teria capacidade para organizar um evento TÃO maior como a Eurovisão? Como é óbvio, era necessário algum sacrifício, não me estou a referir apenas a nível monetário, mas principalmente em termos imaginativos, que sinceramente, penso que é o que falta à nossa estação pública que parece não saber acompanhar o ritmo dos dias de hoje e da sociedade capitalista em que vivemos.

O nosso ambiente festivo era algo que seria fenomenal para a organização do evento. Consigo, e sei que um dia a cidade de Lisboa estará num ambiente onde será possível sentir o "cheiro" da Eurovisão, mas o que será que falta? Será que somos assim tão maus? Será que somos os "incultos" da Europa? Na minha opinião, não nos falta nada. Ou melhor, não é a nós que falta, mas sim à Europa que tem CONSTANTEMENTE desvalorizado o nosso país (e outros, porque sinceramente a Eurovisão parece estar a tornar-se num concurso de inglês, ou numa demonstração de sotaques...) e a nossa história.

Mas como é óbvio, a culpa não é só da Europa, a nossa RTP tem também alguma culpa no cartório: ao longo dos anos parece que a estação tem dado ao Festival cada vez menos importância, deixando que cheguem a concorrentes canções que envergonham o nosso país e fazem com que o mesmo seja visto cada vez mais como o "país dos 'zés de bogode' e da 'vinhaça". Como é óbvio segundo os novos
Media temos que ver tudo pelo lado que dá mais lucro: é inegável que a Champions League é uma mina de audiências em comparação com o Festival, mas de que forma é que esse evento de futebol contribui para a cultura do país? (atenção: adoro futebol e não quero de forma nenhuma desprezar o trabalho que os jogadores desempenham!)

Mas eu sei que um dia o MEU Portugal vai mostrar aquilo que somos feitos. Porque, como dizem os Amor Electro, Juntos somos mais fortes!


Portugal tem o sonho. Nós temos o sonho, mas principalmente a lembrança: tenho 19 anos de idade, e lembro-me de ver a minha família a ver o Festival com uma garra como se de um campeonato de futebol se tratasse (fiz esta comparação, porque geralmente é tudo o que o português quer saber - não esqueçamos os três F's). Lembro-me de  chorar ao ouvir a 'Senhora do Mar', e de a minha mãe dizer "É desta que vamos ganhar isto!", mas não foi... não foi e, na minha sincera opinião, não querendo ferir mentalidades, foi a partir dessa "derrota" que o nosso povo, as nossas músicas e o próprio festival começaram a entrar ainda mais em decadência. De que vale querer mostrar à Europa as nossas origens e a nossa cultura se ela só se preocupa com os 5 Grandes (principalmente a Alemanha...)?

Como já devem ter reparado, valorizo, gosto e amo o meu país, e não coisas que me irrite mais do que a visão simplória e um pouco (bastante) rude que a Europa tem do nosso país como o país da cortiça, o país do peixe, e pior que tudo... dos pobrezinhos (ao menos, não somos pobrezinhos de mente, como alguns dos grandes da Europa são... e agora tentem adivinhar a quem me refiro).

Imagens: Wikipedia.com, ideiaseopiniões.com e wiwibloggs.com
16/06/2016
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